Renda Variável

O que é FII?

Fundo de Investimento Imobiliário

Fundo que investe em imóveis ou em ativos financeiros ligados ao mercado imobiliário. Você compra cotas na bolsa e recebe rendimentos mensais.

Um FII (Fundo de Investimento Imobiliário) é, em essência, uma forma de investir em imóveis sem precisar comprar um imóvel inteiro. O fundo é gerido por um administrador profissional e detém os ativos — você compra cotas desse fundo na bolsa, como se fossem ações.

A grande atração: os FIIs distribuem rendimentos mensais aos cotistas, e esses rendimentos são isentos de IR pra pessoa física (uma das vantagens fiscais mais atrativas do Brasil).

Existem 3 grandes tipos:

FIIs de Tijolo: o fundo é dono de imóveis físicos — galpões logísticos, shoppings, prédios comerciais, lajes corporativas, hospitais. A receita vem do aluguel que os inquilinos pagam. Quando a economia esfria (Selic alta, recessão), os aluguéis sofrem.

FIIs de Papel: o fundo investe em CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e LCIs — papéis que rendem juros ligados ao mercado imobiliário. Comportamento mais parecido com renda fixa. Quando a Selic sobe, esses fundos rendem mais (porque os papéis que detém têm yield maior).

FIIs Híbridos / Fundo de Fundos (FoFs): misturam tijolo e papel, ou investem em cotas de outros FIIs.

A métrica mais olhada é o Dividend Yield (DY): dividendo anual dividido pelo preço da cota. FIIs costumam ter DY entre 8% e 14% ao ano — alto comparado com aluguel direto (que rende 4-6%).

Custos: corretagem (a maioria das corretoras zerou), taxa de administração do fundo (0,5% a 1,5% ao ano, embutida no preço), e nada de IR sobre dividendos. Mas há IR de 20% sobre ganho de capital (se você vender a cota por mais do que comprou). Esse ganho não é compensado por isenção mensal.

Exemplo prático

Você compra 100 cotas de um FII de logística por R$ 100 cada (total R$ 10.000). O DY do fundo é 11% ao ano, pagos mensalmente.

Rendimento mensal: R$ 10.000 × 11% ÷ 12 = R$ 91,67/mês, isento de IR. Em 12 meses, R$ 1.100 recebidos limpos.

Se você reinvestir todos os meses comprando mais cotas (DY se mantém constante), em 10 anos seu patrimônio dobra apenas com os dividendos reinvestidos — sem contar valorização das cotas.

Atenção: se em vez de FII você tivesse comprado um imóvel real de R$ 200.000 e alugado por R$ 1.500/mês (yield 9% bruto), pagaria 27,5% de IR sobre o aluguel, teria condomínio, IPTU, manutenção, vacância. Líquido caía pra ~R$ 700/mês. Pior que o FII com a metade do capital.

Perguntas frequentes

FII é renda fixa ou variável?

Variável. O preço da cota oscila na bolsa todos os dias (B3). Você pode ganhar ou perder dinheiro se vender. Mas os dividendos mensais são razoavelmente previsíveis e estáveis no curto prazo — daí muita gente confundir com renda fixa.

Como FIIs são isentos de IR sobre dividendos?

É uma lei específica (Lei 11.033/2004) que isenta dividendos de FIIs pra pessoa física, desde que: 1) o fundo tenha pelo menos 50 cotistas, 2) as cotas sejam negociadas exclusivamente em bolsa, 3) o investidor pessoa física não detenha mais de 10% do fundo. Praticamente todos os FIIs negociados atendem.

Tem IR em algum momento?

Sim, no ganho de capital. Se você compra cota a R$ 100 e vende a R$ 120, paga 20% sobre os R$ 20 de lucro. Diferente de ações (onde tem isenção de até R$ 20 mil/mês em vendas), FII NÃO tem essa isenção — qualquer venda com lucro paga IR.

FIIs de tijolo ou de papel são melhores?

Depende do cenário. Selic alta favorece FIIs de papel (rendem mais com taxas altas). Selic baixa favorece tijolo (aluguel mais valorizado, vacância menor). Diversificar entre os 2 é estratégia clássica. Em 2026 (Selic alta), FIIs de papel estão em alta.

Posso perder tudo num FII?

Tudo não — porque o fundo é dono de ativos reais (imóveis ou recebíveis). Mas pode perder boa parte. FIIs caíram 30-50% em 2020 (pandemia) e em 2022-2024 (Selic alta). Diversificação entre vários fundos e setores reduz o risco. Concentração em um único fundo é arriscado.

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